terça-feira, 7 de junho de 2011

O Dote

Como tudo acontecia
nos tempos que já lá vão
era tudo bem diferente
não tinha comparação

Era pobreza diferente
mas diferente de pensar
tudo era bem poupado
para o dote comprar

As mães preocupavam-se
para tudo arranjar
pois era moda antiga
das filhas ter de comprar

Desde de muito novinhas
tudo tinha que trabalhar
para os poucos tostões
o dote ter de comprar

Depois mudou-se o nome
conforme a evolução
já chamavam enxoval
era outra designação

Quando a rapariga casava
o dote tinha de levar
desde os lençóis e cobertores
para os filhos se abafar

As toalhas de cozinha
as cobertas do tear
os tapetes de retalhos
tudo era para o lar

Compravam uma mala
para o dote arrumar
no inicio era uma caixa
para o dote guardar

E faziam os bordados
com rendas acompanhar
as camisas da noite e pijama
tinha de acompanhar

Era feito na costureira
pois pronto não havia
feito com imaginação
e alguma fantasia

toalhas de bordado madeira
feitas com muito primor
almofadas e toalhas
tudo feito com rigor

tudo eram espetacular
em pano de linho fino
tinha as toalhas de mesa
cada um com seu destino

as toalhas das mesa dos Santos
era feita de arrendado
com fechado,e caseado
tudo era bem bordado

as toalhas do lava mãos
com bordado  espetacular
com fechados e arrendados
era mesmo de encantar

mais tarde tudo mudou
já havia muito para comprar
toalhas de fantasia
não precisavam bordar

mas no meu tempo
também o dote se usava
mas para mandar bordar
já muito caro ficava

nem toda a gente sabia
bordar bordado madeira
se queria uma toalha
 já mexia na carteira

mandei bordar minha toalha
5 contos me custou
ganhava1200 escudos
bem carinho me ficou

ainda a tenho guardada
não sei qual o seu destino
pois gastei dinheiro a toa
mas era o tempo antigo

também havia outros pontos
para as toalhas bordar
fazíamos ponto cruz
para tudo embelezar

havia ponto grilhão
e pontos de alinhavar
havia ponto de diabo
que eu estive a bordar

comprávamos jogos de banho
e colchas de algodão
fazíamos panos de tabuleiro
tudo feito na perfeição

havia jogos de croché
para a casa enfeitar
fiz a colcha em croché
quando foi para casar

pois era grande moda
e muito eu trabalhei
agora são edredons
não dão maçada a ninguém

~há tudo para comprar
não precisa se cansar
até nas vespras do casamento
dá tempo para comprar

os lençóis já estão prontos
não é preciso canseira
noutro tempo era difícil
tinham que ir para a ribeira

compravam uma peça de pano
depois metiam na bosta de vaca
deixavam curtir uns dias
e depois é que lavavam

depois iam para a ribeira
para as peças estender
era dias a corar
só vendo para querer

depois eram divididos
para os lençóis fazer
era feito travesseiros
e almofadas conforme o querer

mas o lençol dos noivos
era feito de pano fino
com travesseiro e almofadas
tudo tinha o seu destino

era com bordado madeira
ou com bordado suíço acompanhar
havia muita vaidade
para ninguém relatar

pois faziam cama dos noivos
tudo era verificado
quem não tinha o dote
era tudo relatado

a cama era de palha
feita pela costureira
levava pontos com uma agulha
era tudo uma canseira

mas no meu tempo
era tudo bem diferente
já havia os colchões
diferente de antigamente

os nossos pais e avós
sofreram de toda a maneira
mesmo com pouco dinheiro
era tudo uma canseira

tinham que ir ao tear
como a minha mãe contava
tinham que tecer as cobertas
que as filhas abafava

ainda tenho guardado
com grande estimação
uma coberta tecida pela minha mãe
que me dá satisfação

tanto era o sofrimento
para tudo adquirir
e levar vida difícil
ainda estavam a sorrir

agora há demais
ninguém dá  o valor
nem sabem o que custa
seja lá o que for

ser preto ou branco
isso é o mesmo resultado
desde que haja dinheiro
o caso está arrumado

ninguém sabe o que custa
nem na aguilha sabem pegar
os pais que comprem as coisas
se os filhos querem casar

ai tempo bom que é agora
para a nova mocidade
que é só se divertir
no campo e na cidade


mas vamos com o tempo
mas é preciso pensar
a vida é boa
mas temos de trabalhar

é bom aprender
e há muita gente a ensinar
os pontos de antigamente
para a tradição
não acabar


por hoje vou terminar
e ainda estou aprender
estou na pintura dos tecidos
que me ajuda a viver

cada toalha que pinto
acho que vale a pena fazer
são as pequeninas coisas
que nos dão força de viver

ocupamos o nosso tempo
mas lhe damos o valor
ao ver o nosso trabalho
sentimos obra do Redentor

como é possível
tudo poder aprender
é  como as novas tecnologias
e conseguimos aprender

temos de dar o exemplo
aos jovens desanimados
que mesmo com esta idade
ainda fazemos beldades

muito tinha para contar
mas fica a opinião
façam tudo com carinho
vão sentir satisfação

Lídia Aveiro

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