sábado, 8 de novembro de 2014

Matur e Atlantis



D.Fernanda Pires da Silva fundadora da Maturi e Atlantes

1969

Nesta ilha pequenina
D, Fernanda escolheu
uma zona de turismo
pois muito ela sofreu

num barranco de pinheiros
foi a zona escolhida
muitos não acarditavam
que a Matur fosse erguida

foi com muito sacrifício
e muitos planos fez
fez uma zona turística
pois com a graça de Deus

veio dar muito trabalho
muitos ganharam o seu pão
para a zona de machico
foi grande a satisfação

parecia um mundo novo
do que se estava a passar
pois começaram as obras
para todos acerditar

vieram engenheiros
para a obras trabalhar
e muitos arquitetos
para os projetos detinar

começaram nos esgotos
e tudo começou aparecer
iam colocando blocos
e a obra começava a crescer

o hotel foi crescendo
as moradias também
fizeram os jardins
e tudo o que ela contém

no ano de 1970
eis agora a confusão
entraram as primeiras empregadas
com alguma informação

houve um grupo de 25
que receberam convite
foram 3 meses estudar
pois a matur o permite


no dia 15 de julho de 1970
fomos para a matur
primeiro entraram 15
mas o trabalho era duro

era um trabalho diferente
mas era um grupo amigo
estávamos cheias de força
e com o corpo sadio

começamos nos flats 3
os apartamentos limpar
umas a marcar as roupas
outras as roupas a passar

era a D. Geni Teixeira
que nos estava a dirigir
tínhamos horário de entrada
mas não tinha de sair

e nós muito assustadas
tudo tínhamos que fazer
levávamos o almoço
e tínhamos que obedecer

no ano de 1970
foi duro se acusto mar
muitos dias riamos
mas muitos dias a chorar

havia uma telefonista
que muito colaborava
era a D. Laura
que nem sequer almoçava


havia uma cozinheira
que ainda está a trabalhar
é a D. Maria
que sabia cozinhar

havia uma senhora
que na limpeza lá estava
era a D. Deolinda
que dos senhores tratava

tudo começou aos poucos
e os empregados foram aumentando
os clientes de pouco a pouco
e as ordens iam chegando

começou os diretores
e administradores também
havia as inaugurações
e tudo estava bem

vieram muitas senhoras
a matur visitar
era uma cidade nova
como era de esperar

ganhávamos 900 escudos
era uma grande alegria
pois era muito bom
mas bem agente o merceia

houve o 25 de abril
foi uma grande loucura
todos queriam mandar
foi uns dias de amargura

dizem que ia a falência
e ninguém queria saber
foram diretores para a rua
ninguém queria obedecer

o sr. Ferreira marques
também foi muito humilhado
foi corrido da matur
pelo povo mal educado

começou os trabalhadores
todos queriam mandar
todos queriam dar ordens
e o dinheiro a faltar

a Sr. D.Fernanda
pois nunca mais apareceu
dizem que foi para o Brasil
pois o povo é que sofreu

tivemos 5 anos
nesta luta dia a dia
ninguém pode acerditar
pois isto não se merceia

houve a comissão de trabalhadores
que as ordens iam dando
faziam o que podiam
alguns foram se desenrascando

dizem que houve ladrões
que muito desapareceu
mas o triste mais pequeno
foi esse que padeceu

os senhores foram roubando
e puseram-se andar
os tristes dos empregados
a barra tiveram de aguentar

quando havia ordenado
era um dia de loucura
uns já tinham a tanto tempo
outros andavam a procura

e com esta confusão
pois muitos desanimaram
pediram a demissão
e a matur deixaram

pois tinham suas famílias
e não podiam parar
pois tinham que ter dinheiro
para os filhos sustentar

mas como diz o ditado
tudo ficou resolvido
está tudo normalizado
e o ordenado garantido

e a nossa D. Fernanda
nunca nos abandonou
já nos veio visitar
e tudo já melhorou

mas os anos vão passando
tudo começa a cansar
já lá vão 19 anos
que estamos a trabalhar

muita coisa está diferente
e ninguém nos dá o valor
que viemos muito novinhas
e trabalhamos com amor

já temos muita amizade
por os que cá passaram
que muitos gostam do serviço
e já muitos voltaram

estamos a ficar velhas
e já um pouco cansadas
somos mal compreendidas
muitas vezes mal tratadas

ninguém nos compreende
e começam protestar
dizem logo se não fazes
tens processo disciplinar

durante estes 19 anos
não se pode explicar
já lá vão 46 diretores
com suas ordens a dar

mas tudo é mal informado
e tudo se torna diferente
quando o diretor conhece o pessoal
pois fica logo ausente

mas com estes problemas
não podemos esquecer
que foi a D. Fernanda
que nos ajudou a viver

porque tudo melhorou
com o nosso ganha pão
embora com muito esforço
mas com grande coração

havia bons empregados
que a matur deixaram
que fizeram muita falta
e que nunca mais voltaram

a nossa manutenção
que nunca mais foi igual
tinha um grande chefe
que era o mestre Juvenal

era um homem compreendido
e também muito educado
tinha uma certa graça
com a manutenção a seu lado

a sr D  Etelvina
também muito nos animou
dava-nos sempre um sorriso
nos dias que cá passou

o Sr. Sousa Ribeiro
era um homem pequenino
sempre com a sua graça
mas muito delicadinho

o sr Era Esteves
também muito se sacrificou
o povo foi muito estupido
e muito o maltratou

cada dia desta vida
é a primavera a passar
alguns momentos felizes
que ficam para recordar

há pessoas que não entressa
e não têm explicão
só querem o mal
e não têm compaixão

que só querem a vingança
e com isso se sentem bem
fazendo o mal aos outros
com isso sentem-se bem

mas a vida tem um destino
e temos que alcansalo
vivendo com sacrificio
até um dia encontra-lo

a Sr d. Fernanda
Deus a vai recompensar
por tudo o que tem feito
e continua a trabalhar

é uma grande Mulher
não me canso de pensar
pois tem uma grande força
que Deus a vai ajudar

só podemos ser felizes
quando ajudamos alguém
a sr D.Fernanda
é a nossa grande mãe

que sente os nossos problemas
e muito nos ajudou
no meio de tanta luta
nunca nos abandonou

no dia 27-12-1988
veio nos agradecer
quer ficar na Madeira
quando um dia morrer

pois como grande mulher
que pela madeira tem lutado
merece por cá ficar
e vai ter seu resultado

merece quando morrer
o seu nome por cá ficar
e com uma grande estátua
para todos a recordar

e os nossos netos mais tarde
poderem reconhecer
que foi a D. Fernanda
que nos ajudou a viver

como a D. Fernanda dizia
eu não levo nada daqui
eu quero que os vossos filhos saibam
que eu não trabalhei para mim

pois quando chegou
tudo isto era deserto
pois tem se sacrificado
mas está no lugar certo

e no seu grande discurso
quis nos fazer recordar
que o 25 de Abril
 muito a nfez chorar

mas isso quer esquecer
e quer agora continuar
a resolver a situação
do trabalho terminar

quer acabar os flats 4
e um melhoramento fazer
da sua querida matur
pois não se pode esquecer

e com este grande discurso
muito nos agradeceu
no dia 27 de dezembro
o almoço nos ofereceu

e com estes anos passados
está próximo a festejar
20 anos de matur
que fica para recordar

muita coisa já passou
e é belo recordar
ver a matur nascer
e a poder acompanhar

a Senhora D. Fernanda
deve se sentir feliz
a primeira cidade
pertinho de santa cruz

deu uma grande beleza
á nossa ilha da madeira
era muito pobrezinha
mas de beleza estava cheia

a vida é como um rio
passa e não torna a voltar
só o bem que fazemos
que fica para recordar

ao descrever estas quadras
sinto uma grande emoção
pois é aquilho que eu sinto
dentro do meu coração

a vida é tão bela
mas cheia de sofrimento
devemos admirar
uma mulher de talento

saber lutar e vencer
é a nossa caminhada
temos que chegar ao fim
pois temos outra morada

e chegar ao fim da vida
com amor e alegria
fazer tudo pelos outros
era o que Jesus fazia

é uma mulher pequenina
mas com um grande coração
pois é uma mulher simples
que nos dá satisfação

Senhora D Fernanda
queira me desculpar
por estas minhas quadras
pois não a quis magoar
quero lhe agradecer
com uma certa alegria
pois durante o meu trabalho
fiz tudo quanto podia

Machico,02 de Novembro de1989
maria lídia Remesso Aveiro Fernandes

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