terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Rua do Ribeirinho

A rua do ribeirinho
ficou de recordação
era a rua que eu passava
com maior descontração

eu andava na escola primária
na rua da estacada
não havia movimento
era uma rua parada

e ao sair ao recreio
tudo queria saltar
brica vamos mesmo na rua
com a empregada a vejiar

mas no final das aulas
íamos pelo ribeirinho
pois dava jeito saltar
no passeio do caminho

então havia um quintal
que tinha uma campainha
tocávamos e fujiamos
e lá a criada vinha

era branca e de avental
tinha um sinal no nariz
ficava arreliada
mas era a sua cruz

a quinta era bonita
com cadeiras para se sentar
uma mesa de jardim
nós ficávamos admirar

aos lados tinha flores
e em cima um corredor
tudo estava arrumado
tudo feito com rigor

já passaram 50 anos
e tudo está diferente
agora está abandonada
e já não existe gente

a erva já tomou conta
das pedrinhas do calhau
as pessoas vão morrendo
e tudo volta a ficar mau

agora quando passo
olho sempre para lá
eu penso como tudo fica
e o estado em que está

ali vivia gente fina
diferente de toda a gente
era o Sr António
que fazia de agente

as pessoas entravam e saiam
com as linhas e o bordado
todas iam com a missão
de fazer o seu recado

depois de tantos anos
tudo muda derrepente
morrem os donos
fica tudo para os parentes

mas todos seguem seu destino
e custa muito dinheiro
para manter as casas
deixam ficar com palheiro

há coisas que não esquece
de quando somos crianças
coisas simples que fazíamos
e que temos na lembrança

quando vinhamos da escola
contávamos muitas anedotas
umas claro mais simples
e outras muito mais tortas

subíamos a louvadinha
para as provas verificar
as que tinham erros
tratávamos de rasgar

depois eu ia estudar
com a minha prima Maria
ás vezes ao pé do trigo
e muito agente se ria

nessa altura fiz uma quadra
ao meu tio inglês
Maria é que se lembra
e diz que foi eu que fiz

talvez já tinha jeito
mas não dava importância
pois de certeza tinha  jeito
mas são coisas de criança

agora tudo mudou
a rua está movimentada
a escola já fechou
e já tem outra morada

com o tempo tudo passa
como passa a primavera
tudo está diferente
e nada é o que era

olhava para a minha escola
com grande saudade
onde eu aprendi a ler
com a minha ingenuidade

toda a criança bela
tudo se torna verdade
os adultos ocultavam
a vida e a realidade

olhava para a minha professora
com respeito e carinho
era já de certa idade
e falava devagarinho

A D. Maria José Almada
A mãe do menino Tiago
todos eram  respeitados
pois todos eram fidalgos

então a minha mãe 
ensinava a respeitar
os nossos Superiores
estavam em primeiro lugar

Bom dia sr professora
era como tínhamos que dizer
e estava correto
pois respeito tinha de haver

e dávamos um beijo
ainda estou lembrada
era uma cara mole
e tinha uma papada

a escola era branca
com os tapas sois verdes
as carteiras castanhas
e os mapas nas paredes

e havia a empregada
era a senhora Mariazinha
magrinha e educada
fazia o que podia

no recreio a correr
pelas escadas sem parar
para ir a casa de banho
e depois para brincar

era na parte da manhã
que a escola começava
quando vinha sas enfermeiras
já tudo se assustava

e quando vinha os senhores
dar óleo de figado de bacalhau
era uma desgraça
pois o óleo era mau

e assim tudo passou
agora é tudo diferente
cada um com o seu tempo
e todos vivem contentes

e assim se passou
muito há para contar
todos tem sua história
é preciso recordar


machico 13 de Agosto de 2012

Lídia Aveiro




Nenhum comentário:

Postar um comentário