A rua do ribeirinho
ficou de recordação
era a rua que eu passava
com maior descontração
eu andava na escola primária
na rua da estacada
não havia movimento
era uma rua parada
e ao sair ao recreio
tudo queria saltar
brica vamos mesmo na rua
com a empregada a vejiar
mas no final das aulas
íamos pelo ribeirinho
pois dava jeito saltar
no passeio do caminho
então havia um quintal
que tinha uma campainha
tocávamos e fujiamos
e lá a criada vinha
era branca e de avental
tinha um sinal no nariz
ficava arreliada
mas era a sua cruz
a quinta era bonita
com cadeiras para se sentar
uma mesa de jardim
nós ficávamos admirar
aos lados tinha flores
e em cima um corredor
tudo estava arrumado
tudo feito com rigor
já passaram 50 anos
e tudo está diferente
agora está abandonada
e já não existe gente
a erva já tomou conta
das pedrinhas do calhau
as pessoas vão morrendo
e tudo volta a ficar mau
agora quando passo
olho sempre para lá
eu penso como tudo fica
e o estado em que está
ali vivia gente fina
diferente de toda a gente
era o Sr António
que fazia de agente
as pessoas entravam e saiam
com as linhas e o bordado
todas iam com a missão
de fazer o seu recado
depois de tantos anos
tudo muda derrepente
morrem os donos
fica tudo para os parentes
mas todos seguem seu destino
e custa muito dinheiro
para manter as casas
deixam ficar com palheiro
há coisas que não esquece
de quando somos crianças
coisas simples que fazíamos
e que temos na lembrança
quando vinhamos da escola
contávamos muitas anedotas
umas claro mais simples
e outras muito mais tortas
subíamos a louvadinha
para as provas verificar
as que tinham erros
tratávamos de rasgar
depois eu ia estudar
com a minha prima Maria
ás vezes ao pé do trigo
e muito agente se ria
nessa altura fiz uma quadra
ao meu tio inglês
Maria é que se lembra
e diz que foi eu que fiz
talvez já tinha jeito
mas não dava importância
pois de certeza tinha jeito
mas são coisas de criança
agora tudo mudou
a rua está movimentada
a escola já fechou
e já tem outra morada
com o tempo tudo passa
como passa a primavera
tudo está diferente
e nada é o que era
olhava para a minha escola
com grande saudade
onde eu aprendi a ler
com a minha ingenuidade
toda a criança bela
tudo se torna verdade
os adultos ocultavam
a vida e a realidade
olhava para a minha professora
com respeito e carinho
era já de certa idade
e falava devagarinho
A D. Maria José Almada
A mãe do menino Tiago
todos eram respeitados
pois todos eram fidalgos
então a minha mãe
ensinava a respeitar
os nossos Superiores
estavam em primeiro lugar
Bom dia sr professora
era como tínhamos que dizer
e estava correto
pois respeito tinha de haver
e dávamos um beijo
ainda estou lembrada
era uma cara mole
e tinha uma papada
a escola era branca
com os tapas sois verdes
as carteiras castanhas
e os mapas nas paredes
e havia a empregada
era a senhora Mariazinha
magrinha e educada
fazia o que podia
no recreio a correr
pelas escadas sem parar
para ir a casa de banho
e depois para brincar
era na parte da manhã
que a escola começava
quando vinha sas enfermeiras
já tudo se assustava
e quando vinha os senhores
dar óleo de figado de bacalhau
era uma desgraça
pois o óleo era mau
e assim tudo passou
agora é tudo diferente
cada um com o seu tempo
e todos vivem contentes
e assim se passou
muito há para contar
todos tem sua história
é preciso recordar
machico 13 de Agosto de 2012
Lídia Aveiro
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